segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Menino do Moinho

Texto: Pedro Sousa  
Ilustração: Ana Carolina
Havia junto a um rio um moinho muito velho, onde morava um Menino. Todos os dias, o Menino saía bem de manhãzinha para procurar alguma comida nos campos e nas fruteiras da região.
            Um dia, apareceu-lhe um agricultor muito mau que o viu a cortar um cacho de uvas e correu-o com um cajado. O Menino correu ferido por entre o centeio e só parou quando conseguiu chegar ao rio, perto do seu moinho. Não tendo forças para avançar caiu prostrado no chão.
            De repente, um jovem apareceu por entre uns arbustos à procura de uma bola e deparou-se com o Menino. Ajudou-o a levantar-se e perguntou-lhe se precisava de alguma coisa e o que tinha acontecido. O Menino contou-lhe que fora agredido quando pegava num cacho de uvas para comer. Era muito pobre, vivia sozinho num moinho abandonado junto ao rio da aldeia, porque ficara órfão e não tinha ninguém para cuidar de si. Por isso não ia à Escola e não conhecia ninguém.

O Pintas ensina a Reciclar


   TEXTO: Pedro Miguel Sousa  
ILUSTRAÇÕES: Isa Simas

Naquele dia, Pintas só entrava na sua nova Escola à tarde. Pegou na sua bicicleta e dirigiu-se à Escola dos mais pequeninos. Na mochila levava uma cartolina, alguns marcadores, latas e sacos de plástico, caixa de papel e frascos de vidro.
Ao chegar à Escola, os meninos aperceberam-se e logo a algazarra começou. Todos se levantaram para cumprimentar o Pintas. Até a Professora ficou alegre por ver novamente ‘o pestinha’ na sua sala.
- Pintas, o que andas a fazer? – Pergunta a Professora.

A vindima

TEXTO: Pedro Miguel Sousa 
   ILUSTRAÇÕES: Carlos Santos
            Naquela manhã, Miguel levantou-se muito entusiasmado. A noite, que passara quase sem dormir com ansiedade para que o novo dia rompesse, chegava ao fim e preparava-se para ir com o seu pai à vindima nas vinhas de seus avós. Depois de um pequeno-almoço recheado, os dois puseram-se em cima da motorizada e partiram cheios de alegria.

A aluna rebelde

TEXTO: Pedro Miguel Sousa       ILUSTRAÇÕES: Ana Carolina

            Era uma vez uma menina que vivia numa cidade muito grande. A sua casa ficava num daqueles bairros problemáticos, onde os grupos formavam trupes para defenderem o seu território. A actuação desses grupos na sociedade nem sempre era a melhor, pois uma simples quesília transformava-se muitas vezes numa enorme confusão por não respeitarem as regras dos bons costumes.
            Rita, a aluna, era muito inteligente, capaz de deixar espantada toda a turma com as associações que fazia da matéria com o quotidiano, reponder perspicazmente às questões formuladas na aula e até questionar o professor sobre matérias ainda não leccionadas. Tirava sempre as melhores notas da turma.
            Embora tivesse sempre as melhores referências da turma a nível de conhecimento, o mesmo não se passava em relação à atitude perante o trabalho. Rita faltava muito às aulas. Ninguém conseguia compreender o seu total desinteresse ou, talvez, a sua desmotivação que a levavam a tomar essas atitudes.

 (in Caderno Cultural do Jornal Povo de Fafe)

Baby

           Baby era uma Menina muito bonita que vivia numa casinha modesta no alto da Montanha com o seu Avô. A floresta era para Baby o local preferido para as suas cantorias, acompanhadas pelo chilrear dos pássaros, pelas águas corredias, o saltitar dos peixes e até o vento fazia dançar as folhas das árvores como se estivessem a bater palmas, nesta harmonia de afectos naturais.
Não havia na mata perigo algum que se aproximasse desta Menina. O leão, o corvo, a águia, o esquilo, a corsa, o javali, a cabra e a ovelha pareciam todos hipnotizados pela enorme doçura que esta menina irradiava. Até os lobos deixaram de uivar, as perdizes de voar e os pássaros de chilrear precipitados na imagem divina.

O Carnaval

TEXTO: Pedro Miguel Sousa
ILUSTRAÇÕES: Ana Carolina
A Escola da aldeia preparava-se para mais uma interrupção para mais umas pequenas férias de Carnaval. Nessa Escola havia meninos de diferentes classes sociais, os meninos ricos e os meninos pobres. Os meninos ricos tinham planeado passar o dia de Carnaval com os seus pais numa daquelas cidades onde é habitual festejar-se com grandes desfiles, enquanto os meninos pobres, que não tinham dinheiro para extravagâncias, iam passar o Carnaval uns com os outros, nas ruas da aldeia.
Assim, os meninos pobres não sabiam muito bem o que haviam de fazer para festejar esse dia de festa, mas logo um deles disse:
- Podíamos nós pintar a nossa própria máscara, arranjar umas roupas que tenhamos lá por casa meias rasgadas, dos nossos pais, pegar nuns cobertores, nuns chapéus e íamos brincar.
Entretanto, Simãozito, aquele traquina de todos os dias, disse:
- Bem, não temos dinheiro para comprar umas pistolas, aquelas bisnagas de água, como vamos fazer?