Texto: Pedro Miguel Sousa
Ilustração: Isa Simas
Naquele ano, a noite de Natal estava muito diferente do habitual. As pessoas tolhidas do frio mal se cumprimentavam e o vento assobiava como nunca. Na janela do quarto, enquanto esperava que a mãe terminasse de preparar o jantar e o resto da família chegasse, o Ruca contemplava a indiferença que se sentia entre as pessoas que se cruzavam na esquina da sua casa.
Depois de observar várias vezes a reacção gélida, Ruca decide enviar um sms para os amigos. Na sua mensagem estava apenas escrito: «Natal, dia de festa!», mas fora o essencial, porque em menos de cinco minutos, a campainha da sua porta tocou mais do que vinte vezes e as palavras do Ruca, para a mãe ocupadíssima, repetiam-se: ‘Eu vou lá mãe, é para mim!»
